Uma nova autora se revela ao público, com uma escrita austera, subtil, feita de observações, referências, memórias e experiências, própriasou alheias, mas também sensibilizada pela intuição feminina. Em OsRemorsos da Lua há uma ironia, porém discreta, ao estilo de narrativaque evolui do olhar exterior para a paisagem íntima, que envolve assuas personagens várias no efeito das tensões ou do fracasso, sabendo, no entanto, extrair-lhes a vitória de uma vivência reconhecida. Atrama ficcional é, assim, desmotivada em seus pretextos convencionais, virtualizada, favorecendo uma acção natural, genuína no estar e nosentir. Insinuando sedimentos de outras gentes ou histórias. Como sefundissem, caprichosamente, o tempo com o real, entre a magia e anostalgia. Recuperando em nós essa catarse intencional, emocional -vocacionando o homem pela mulher desde os estádios da lama, barroformatado em carne e sangue - até aos estados de alma, corporizaafinal uma sensualidade lunar, melancólica, aquela que não searrepende porque apenas é proposta.